Pontos principais

Para pagar menos ITBI na construção, você precisa garantir que o imposto incida sobre o valor real do imóvel, e não sobre um valor venal de referência inflado pela prefeitura. O Superior Tribunal de Justiça já firmou que esse valor de referência unilateral é ilegal, o que abre espaço concreto para reduzir a base de cálculo, contestar avaliações excessivas e recuperar o que foi pago a maior.

Quem está regularizando uma obra ou transferindo um imóvel em construção costuma receber um cálculo pronto da prefeitura e pagar sem questionar. Esse é o erro mais caro. A redução de ITBI na construção depende de entender onde a conta pode estar errada e de ter documento para provar o valor correto.

O que é o ITBI e por que incide na construção

O ITBI é o imposto municipal cobrado na transmissão onerosa de bens imóveis entre pessoas vivas, como na compra e venda. Em 2025, os municípios brasileiros arrecadaram R$ 26,86 bilhões com o ITBI, uma alta real de 4,8% sobre 2024 (Multi Cidades, 2025). Esse volume mostra o peso do imposto e por que a prefeitura tem interesse em avaliar imóveis para cima.

Na construção, o imposto não incide apenas sobre o terreno. Ele alcança o imóvel como um todo, terreno mais a edificação. Quando você regulariza uma obra e transfere o bem, a prefeitura atribui um valor à construção com base em tabelas de custo por metro quadrado. É aí que mora o problema: essas tabelas quase sempre superestimam o padrão e o estado da obra.

A alíquota varia por município. Em São Paulo, o ITBI é de 3% (Prefeitura de São Paulo, 2026). Com essa alíquota, cada R$ 100 mil de valor a mais na avaliação significa R$ 3 mil de imposto a mais. Em uma obra de médio porte, o excesso de avaliação vira dezenas de milhares de reais pagos sem necessidade.

Formas legais de reduzir a base de cálculo do imposto

A base de cálculo correta do ITBI é o valor de mercado do imóvel em condições normais de venda, e não o valor que a prefeitura decide atribuir. O STJ fixou no Tema 1113 que o imposto deve ter como base o valor de mercado, que o valor declarado pelo contribuinte goza de presunção de veracidade e que o município não pode arbitrar previamente a base com um valor venal de referência (STJ, REsp 1.937.821-SP, 2022).

Esse julgamento é a ferramenta mais poderosa para reduzir a base de cálculo. Na prática, significa que você pode declarar o valor real da transação e exigir que o imposto seja calculado sobre ele. Se a prefeitura usa automaticamente uma tabela própria, a cobrança contraria o entendimento do STJ.

Algumas formas legais de trabalhar a base de cálculo:

O objetivo não é esconder valor. É fazer o imposto incidir sobre o que o imóvel realmente vale.

Como contestar avaliações excessivas da prefeitura

Quando a prefeitura avalia o imóvel acima do valor real, você tem o direito de contestar antes ou depois do pagamento. O ponto de partida é que o valor declarado tem presunção de veracidade, e cabe ao fisco, não ao contribuinte, provar que a declaração está errada por meio de processo administrativo próprio.

O caminho da contestação costuma seguir estes passos:

  1. Reunir a documentação que comprova o valor real da obra e da transação.
  2. Protocolar impugnação administrativa junto à secretaria municipal da fazenda, apontando a divergência entre o valor de referência e o valor real.
  3. Apresentar laudo de avaliação técnica, quando a diferença for relevante, para sustentar o valor correto.
  4. Recorrer à via judicial caso a prefeitura mantenha a cobrança indevida, com base no Tema 1113 do STJ.

A contestação faz diferença porque a arrecadação de ITBI vem crescendo e os municípios tendem a manter avaliações elevadas. É um processo técnico, que exige leitura da legislação local e organização de provas. A Avante Regularizações atua exatamente nesse ponto, estruturando a defesa do valor real da construção para que o imposto reflita a obra de verdade.

Documentos de imóvel e chaves sobre mesa representando transferência de propriedade

Documentos que comprovam o valor real da obra

A redução do ITBI só se sustenta com prova. Sem documento que demonstre o custo e o padrão da construção, a palavra do contribuinte perde força diante da tabela da prefeitura. Por isso, montar um dossiê consistente é o que transforma um argumento jurídico em economia real.

Os documentos que costumam comprovar o valor real da obra:

Esse conjunto permite demonstrar que o imóvel vale o que foi declarado. Quando o padrão construtivo real é inferior ao presumido pela tabela municipal, os documentos mostram a diferença e justificam a redução da base. Quanto mais rastreável for o custo, mais difícil fica para a prefeitura sustentar uma avaliação inflada.

Casos em que cabe restituição do ITBI pago a maior

Se você já pagou ITBI sobre um valor acima do real, tem direito de pedir a restituição da diferença. O prazo é de cinco anos contados do pagamento, conforme o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Perder esse prazo significa perder o dinheiro, então a análise do que foi pago deve ser feita o quanto antes.

A restituição cabe em situações comuns na construção e na regularização de obra:

Vale um alerta sobre o prazo. O pedido administrativo não interrompe a contagem dos cinco anos, segundo o entendimento consolidado do STJ. Ou seja, protocolar um requerimento na prefeitura e esperar a resposta não protege o seu direito. Se a devolução não vier dentro do prazo, é preciso ingressar na Justiça antes de a prescrição se consumar.

Revisar o ITBI pago nos últimos cinco anos é uma oportunidade direta de recuperar caixa. Com o valor real documentado e o enquadramento correto, a diferença paga a maior pode voltar para quem construiu.

Próximo passo

Separe hoje os comprovantes do ITBI que você pagou nas suas obras nos últimos cinco anos e compare o valor usado pela prefeitura com o custo real documentado da construção. Se houver diferença relevante, você tem base para contestar a cobrança futura ou pedir a restituição do que já pagou. Reúna notas fiscais, projeto, habite-se e comprovantes de pagamento, e leve esse dossiê a um especialista em regularização para calcular quanto dá para economizar antes de o prazo correr.

Perguntas frequentes

A prefeitura pode cobrar ITBI sobre um valor maior do que o declarado na escritura?

Não de forma automática. Pelo Tema 1113 do STJ, o valor declarado tem presunção de veracidade. Para cobrar sobre valor maior, a prefeitura precisa abrir processo administrativo e provar a divergência.

Qual é o prazo para pedir a restituição do ITBI pago a maior?

Cinco anos, contados do pagamento, conforme o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. O pedido administrativo não interrompe esse prazo, então acione a via judicial com antecedência.

O ITBI incide sobre o terreno ou sobre a construção?

O ITBI incide sobre a transmissão do imóvel, que inclui terreno mais acessões. Em obras e regularizações, o ponto de atenção é o valor atribuído à construção, que costuma ser superavaliado pela prefeitura.

Vale a pena contestar a avaliação da prefeitura?

Vale quando há diferença relevante entre o valor venal de referência e o valor real da obra. Com documentos de custo e laudos, a economia costuma superar o custo da contestação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress